Vendas de carros elétricos em 2026: elétricos puros passam os híbridos plug-in, 167 mil contra 137 mil até setembro — e 6 em cada 10 eletrificados são importados
As vendas de carros elétricos em 2026 somaram 167 mil unidades de janeiro a setembro (+206%), à frente dos 137 mil híbridos plug-in, segundo a Anfavea. Dos 434 mil eletrificados do ano, 262 mil (60%) vieram importados prontos.

Vendas de carros elétricos em 2026: BYD Dolphin Mini, elétrico que puxa o crescimento dos elétricos puros no Brasil em 2026
Vendas de carros elétricos em 2026: elétricos puros passam os híbridos plug-in, 167 mil contra 137 mil até setembro — e 6 em cada 10 eletrificados são importados
As vendas de carros elétricos em 2026 viraram o jogo dentro dos eletrificados. De janeiro a setembro, o Brasil emplacou 167 mil elétricos a bateria, alta de 206,1% sobre os 54 mil do mesmo período de 2025, contra 137 mil híbridos plug-in (+110,7%) e 130 mil híbridos convencionais (+80,1%), segundo o balanço da Anfavea divulgado em 7 de outubro. O elétrico puro passou a ser, sozinho, a tecnologia eletrificada mais vendida do país, cerca de 30 mil unidades à frente do plug-in.
Somados, os eletrificados chegaram a 434 mil unidades, ou 20,1% dos veículos leves emplacados no ano (eram 10,6% um ano antes). Mas há um dado que pesa no bolso de quem compra agora: 262 mil desses carros vieram prontos do exterior, cerca de 6 em cada 10. Outros 100 mil foram montados aqui a partir de kits importados (CKD e SKD) e só 72 mil foram fabricados no Brasil de ponta a ponta.
Em julho, publicamos que os híbridos superavam os elétricos puros com 53,4% dos eletrificados de maio. Os dois dados não se contradizem, e explicamos abaixo o que mudou e o que continua igual.
Veja em vídeo: por que o carro elétrico mais vendido de 2026 puxa o crescimento
Quantos carros elétricos foram vendidos no Brasil em 2026?
Pelos números da Anfavea (associação das montadoras), o acumulado de janeiro a setembro ficou assim:
| Tecnologia | Jan–set 2025 | Jan–set 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Elétrico a bateria (BEV) | 54 mil | 167 mil | +206,1% |
| Híbrido plug-in (PHEV) | 65 mil | 137 mil | +110,7% |
| Híbrido convencional (HEV) | 72 mil | 130 mil | +80,1% |
| Total de eletrificados | 192 mil | 434 mil | +126,2% |
| Participação nos leves | 10,6% | 20,1% | — |
Só em setembro, a Anfavea contou 22.316 elétricos, contra 17.470 plug-in e 22.291 híbridos convencionais. A ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), que usa critério próprio, registrou no mesmo mês 22.246 elétricos (41,9% dos eletrificados) e 20.202 plug-in (38,0%). As duas entidades apontam o mesmo líder.
Um cuidado na leitura: a ABVE soma 381.609 eletrificados no ano, menos que os 434 mil da Anfavea. A diferença vem principalmente dos micro-híbridos (MHEV, com sistema de 48 volts que não move o carro sozinho), que a ABVE deixa de fora. Em setembro, por exemplo, foram 8.869 micro-híbridos fora da conta da ABVE. Por isso, os números de uma entidade não devem ser somados ou comparados diretamente com os da outra.
Afinal, elétricos ou híbridos vendem mais em 2026?
Depende da pergunta. Por tecnologia isolada, o elétrico puro lidera: 167 mil contra 137 mil do plug-in e 130 mil do híbrido convencional. Somando os dois tipos de híbrido, eles ainda são maioria: 267 mil unidades, ou cerca de 61,5% dos eletrificados no critério da Anfavea, contra 38,5% dos elétricos.
Foi essa soma que o nosso artigo de julho mediu. Em maio, pela ABVE, os elétricos venderam 20.974 unidades e os híbridos somados, 24.007 (15.821 plug-in e 8.186 convencionais). Ou seja: o elétrico já vendia mais que o plug-in naquele mês, mas perdia para o conjunto dos híbridos. A novidade de 2026 é a distância. Em nove meses, o elétrico abriu 30 mil unidades sobre o plug-in e cresceu quase o dobro do ritmo dos híbridos (206% contra 81% a 111%). Em setembro, pela ABVE, os elétricos chegaram a 41,9% dos eletrificados.
Por que o carro elétrico passou o híbrido plug-in?
Três fatores explicam a maior parte da virada:
- Preço de entrada. O elétrico mais barato do catálogo, o Renault Kwid E-Tech, tem preço sugerido de R$ 99.990. O BYD Dolphin Mini parte de R$ 118.990 e o Geely EX2 Pro, de R$ 124.600. Nessa faixa não há híbrido plug-in: o BYD Song Pro, por exemplo, começa em R$ 196.990. Quem tem até R$ 130 mil e quer um eletrificado com tomada só encontra elétrico puro.
- Um modelo puxando o volume. O Dolphin Mini terminou setembro como o 3º veículo mais vendido do Brasil, com 9.385 emplacamentos (Fenabrave), à frente do T-Cross e do Onix. Detalhamos esse resultado na análise do Dolphin Mini no pódio de setembro.
- Montagem local para fugir do imposto. Desde 1º de julho, o carro elétrico importado pronto paga 35% de imposto de importação. O Dolphin Mini, montado em Camaçari (BA), entra nos kits com cota de alíquota zero. Veja quais eletrificados são feitos no Brasil e escapam dos 35%.
A própria Anfavea admitiu a surpresa. O presidente da entidade, Igor Calvet, disse que a associação só esperava chegar ao volume atual de elétricos em 2030 e que o setor "foi pego de surpresa".
O que significa 6 em cada 10 eletrificados serem importados?
Dos 434 mil eletrificados do ano, 262 mil (60,4%) chegaram prontos, alta de 82,7% sobre os 143 mil de 2025. Os montados em kits somaram 100 mil (23%) e os fabricados no país, 72 mil (16,6%), alta de 49,2%. Para quem compra, isso tem três efeitos práticos:
- Preço exposto ao câmbio e ao imposto. Carro importado pronto já paga 35%. Modelos montados em kit pagam zero dentro de uma cota de US$ 463 milhões que vale até 31 de dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, kits CKD e SKD passam a pagar 35%. Se as montadoras repassarem esse custo, modelos montados aqui podem ficar mais caros no ano que vem.
- Peças e prazo de reparo. Carro importado depende de peça importada. Antes de comprar, vale perguntar à concessionária o prazo médio de entrega de itens de carroceria e de bateria.
- Estoque grande. A Anfavea contou 502 mil carros em estoque no fim de setembro, sendo 315 mil importados. Estoque alto costuma abrir espaço para negociação, mas o desconto de loja muda de semana a semana.
O lado fraco do crescimento também aparece nos números: a Anfavea critica a expansão da montagem em kits, que gera menos empregos e usa poucas autopeças nacionais, e as regras podem mudar. A recarga é outro limite: o país tinha cerca de 25 mil pontos públicos quando bateu 1 milhão de eletrificados emplacados, com grandes vazios fora das capitais.
Vale mais a pena comprar elétrico ou híbrido plug-in agora?
O volume de vendas não decide por você. O elétrico faz mais sentido para quem roda principalmente na cidade e tem onde carregar em casa ou no trabalho; é também a única opção eletrificada com tomada abaixo de R$ 130 mil. O plug-in atende melhor quem faz viagens longas com frequência ou não tem tomada própria, desde que carregue com regularidade. Sem recarga, o consumo sobe bastante, como mostramos no guia sobre híbrido plug-in usado sem carregar.
O calendário também conta. Quem estava em dúvida sobre um modelo montado em kit tem até dezembro como referência, antes da mudança do imposto em 2027. Mas não há garantia de reajuste: a montadora pode absorver parte do custo ou nacionalizar peças para compensar.
Perguntas frequentes sobre vendas de carros elétricos em 2026
Quantos carros elétricos foram vendidos no Brasil em 2026?
De janeiro a setembro de 2026, foram cerca de 167 mil elétricos a bateria, segundo a Anfavea, alta de 206,1% sobre os 54 mil do mesmo período de 2025. Só em setembro, foram 22.316 unidades.
Os elétricos já vendem mais que os híbridos?
Mais que os híbridos plug-in, sim: 167 mil contra 137 mil no ano. Somando plug-in e híbridos convencionais, porém, os híbridos ainda são cerca de 61,5% dos eletrificados no critério da Anfavea.
Qual a participação dos eletrificados no mercado brasileiro?
Os eletrificados foram 20,1% dos veículos leves emplacados de janeiro a setembro de 2026, segundo a Anfavea, contra 10,6% no mesmo período de 2025. Em setembro, pela ABVE, a fatia foi de 19,8%.
Quantos carros eletrificados vendidos no Brasil são importados?
Cerca de 262 mil dos 434 mil eletrificados do ano, ou 60,4%, vieram prontos do exterior. Outros 100 mil foram montados aqui com kits importados e 72 mil foram fabricados no país.
O imposto dos carros elétricos muda em 2027?
Para importados prontos, a alíquota já é de 35% desde julho de 2026. A mudança de 2027 atinge os kits montados aqui: a cota com imposto zero acaba em 31 de dezembro de 2026 e, a partir de janeiro, CKD e SKD passam a pagar 35%.
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