Corrida antes de julho: emplacamentos de elétricos disparam com alíquota de 35% chegando ao Brasil
Elétricos e híbridos somaram 44.981 unidades em maio de 2026 — alta de 170% sobre maio de 2025. Com a alíquota de 35% entrando em vigor em 1º de julho, especialistas projetam junho ainda mais forte, com consumidores e importadores antecipando compras antes do aumento de preços.

Corrida antes de julho 2026: emplacamentos de elétricos disparam antes da alíquota de 35%
Corrida antes de julho: emplacamentos de elétricos disparam com alíquota de 35% chegando ao Brasil
O mercado brasileiro de veículos eletrificados está vivendo um pico histórico em junho de 2026 — e a razão é simples: a partir de 1º de julho, a alíquota de importação para carros 100% elétricos sobe de 25% para 35%, e para híbridos plug-in de 28% para 35%. A antecipação de compras por consumidores e a corrida de importadoras para antecipar estoques estão criando um dos meses mais intensos da história do setor.
Em maio de 2026, elétricos e híbridos somaram 44.981 emplacamentos, crescimento de 170,3% em relação a maio de 2025. Os BEVs (100% elétricos) responderam por quase 47% desse total, com destaque para o BYD Dolphin Mini (7.577 unidades) na liderança absoluta. No segmento de híbridos, o GWM Haval H6 ultrapassou o BYD Song Pro pela primeira vez, com 4.037 unidades. Veja o ranking completo em nosso artigo sobre os elétricos mais vendidos no Brasil em maio de 2026.
A expectativa para junho é de um volume ainda superior: concessionárias relatam lista de espera recorde e importadoras foram autorizadas a antecipar cotas para encher estoques antes da virada da alíquota.
Veja em vídeo: a corrida para comprar elétrico antes do imposto de 35%
Quanto os elétricos vão encarecer depois de julho de 2026?
O impacto do aumento varia significativamente conforme o modelo e se ele tem produção local no Brasil. Modelos fabricados no Brasil — como o BYD Dolphin Mini (Camaçari/BA), o BYD Song Pro (Camaçari/BA) e o Chevrolet Spark EUV (Ceará) — não serão afetados, pois pagam alíquota diferenciada por conteúdo nacional.
Para modelos totalmente importados, o impacto estimado no preço final varia de R$ 5.000 a R$ 25.000, dependendo do valor de tabela. Um elétrico de R$ 100.000 inteiramente importado pode chegar a R$ 108.000-112.000 após julho. Já modelos acima de R$ 200.000 devem absorver aumentos de R$ 15.000 a R$ 25.000.
Para entender os detalhes da política e quais modelos ficam de fora da alíquota máxima, leia nosso artigo completo sobre o imposto de 35% sobre elétricos importados a partir de julho.
Quais elétricos ainda valem a pena comprar antes de julho?
Com base nos preços atuais e na expectativa de alta, os modelos com maior risco de reajuste após julho são os totalmente importados sem fabricação local. Entre eles estão o Leapmotor C10, o GAC Aion UT, o Kia EV3 e o recém-lançado MG4 2026. O JMEV EV2 e EV3, anunciados antes da virada, também podem ver reajuste.
Os modelos fabricados no Brasil — BYD Dolphin Mini, BYD Song Pro DM-i Flex e Chevrolet Spark EUV — devem manter os preços estáveis, pois seguem com alíquota de importação reduzida por conteúdo nacional.
- Risco de alta após julho: JMEV EV2, JMEV EV3, MG4 Comfort/Luxury/XPower, Leapmotor C10, Kia EV3, GAC Aion
- Sem impacto esperado: BYD Dolphin Mini, BYD Song Pro, Chevrolet Spark EUV
- Impacto incerto: Geely EX2 (montagem local em Jaguaré/ES ainda parcial)
Como o 1º semestre de 2026 reposicionou os elétricos no Brasil?
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram crescimento de 120% nos emplacamentos de elétricos e híbridos, com a categoria chegando a representar 18% do total de vendas de automóveis novos no país. É um salto expressivo em relação ao 1º semestre de 2025, quando os eletrificados respondiam por cerca de 10%.
Esse crescimento foi impulsionado pela combinação de alíquota ainda reduzida, expansão da infraestrutura de recarga — o Brasil ultrapassou 21 mil eletropostos no início de 2026 — e pelo barateamento natural dos modelos chineses. A corrida de junho pode ser o pico antes de um ajuste: analistas estimam queda de 20-30% nos emplacamentos em julho, seguida de estabilização em agosto com os novos preços absorvidos pelo mercado.
Perguntas frequentes sobre o aumento de imposto e os emplacamentos de elétricos
Quando a alíquota de 35% para carros elétricos entra em vigor no Brasil?
A alíquota de 35% entra em vigor em 1º de julho de 2026. Até 30 de junho, BEVs pagam 25% de imposto de importação, PHEVs pagam 28% e HEVs pagam 30%.
Quais carros elétricos não terão aumento de preço após julho?
Modelos fabricados no Brasil — como o BYD Dolphin Mini (Camaçari/BA), BYD Song Pro DM-i Flex e Chevrolet Spark EUV (Ceará) — não são afetados pelo aumento da alíquota de importação e devem manter os preços estáveis.
Quantos elétricos foram emplacados em maio de 2026 no Brasil?
Foram 44.981 emplacamentos de veículos eletrificados em maio de 2026, crescimento de 170,3% em relação a maio de 2025. Os BEVs representaram cerca de 47% do total. O BYD Dolphin Mini liderou com 7.577 unidades.
Vale a pena comprar elétrico antes de julho para fugir do imposto?
Para modelos totalmente importados, sim — dependendo do modelo, a economia pode ser de R$ 5.000 a R$ 25.000. Mas é importante verificar se o modelo desejado está em estoque disponível para entrega imediata, pois a corrida de compras pode ter esgotado parte dos estoques.
O que acontece com os preços dos elétricos depois de julho?
Analistas estimam alta de preço de 8% a 12% para modelos totalmente importados. Após um período de ajuste em julho e agosto, o mercado deve se estabilizar com novos patamares de preço até o final de 2026.