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Carro elétrico é mais roubado? Furtos de eletrificados dobram em SP em 2026 — como proteger o carro e o cabo de recarga

Lucas Volt
22 de outubro de 2026
7 min de leitura

Roubos e furtos de carros elétricos e híbridos em São Paulo subiram de 53 para 107 entre janeiro e maio de 2026 (+101%), enquanto a frota cresceu 71,7%. O elétrico não é mais fácil de levar, mas o cabo de recarga virou alvo pelo cobre: rastreador, alertas do app e seguro com cobertura do cabo reduzem o risco.

Carro elétrico roubo e furto em São Paulo em 2026: como proteger o carro e o cabo de recarga

Carro elétrico roubo e furto em São Paulo em 2026: como proteger o carro e o cabo de recarga

Carro elétrico é mais roubado? Furtos de eletrificados dobram em SP em 2026 — como proteger o carro e o cabo de recarga

Sim, os furtos e roubos de carros elétricos e híbridos cresceram mais rápido que a frota em 2026, mas o carro elétrico não é mais fácil de levar que um modelo a combustão moderno. Em São Paulo, as ocorrências com eletrificados passaram de 53 para 107 entre janeiro e maio (alta de 101%), segundo levantamento da Ituran Brasil com dados da SSP-SP. No mesmo intervalo, a frota de eletrificados no país cresceu 71,7%, de 445,9 mil para 765,9 mil unidades (ABVE).

Na prática, o número de casos dobrou, mas boa parte dessa alta acompanha o aumento de carros na rua. E o volume segue pequeno: só o Hyundai HB20 somou 2.216 roubos e furtos no estado entre janeiro e novembro de 2025, contra 107 eletrificados de todas as marcas em cinco meses de 2026. O que mudou foi o tipo de crime: em 2025, 52% dos casos já eram furto (sem violência), e em 2026 o furto passou a predominar.

O alvo que mais cresce não é o carro, e sim o cabo de recarga. Ladrões cortam o cabo de um eletroposto em menos de 30 segundos para vender o cobre como sucata, e cada cabo custa cerca de R$ 5 mil para repor. Abaixo, o que os números dizem e o que fazer para proteger o carro, o cabo e o bolso.

Veja em vídeo: por que o carro elétrico virou alvo de ladrões

Carro elétrico é mais roubado que carro a combustão?

Não em números absolutos. Os eletrificados ainda são uma parcela pequena dos crimes contra automóveis, segundo a própria Ituran. Na capital paulista, os furtos de SUVs subiram 15% entre janeiro e julho de 2026 (de 3.518 para 4.051 casos, segundo dados divulgados pelo UOL), e os 10 mais visados são todos a combustão: Jeep Renegade lidera com 631 registros, seguido de Nissan Kicks (597) e Honda HR-V (566).

O que preocupa é a velocidade. A Ituran contou 88 casos em todo o ano de 2025 no estado de São Paulo, e 2026 superou esse total em cinco meses: 107 ocorrências, 74 delas na capital. Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE, o motivo é familiaridade: o criminoso "prefere um carro que ele já conheça", e os elétricos ficaram conhecidos e valorizados.

Sobre a segurança do carro em si, Bastos afirma que elétricos e modelos a combustão recentes usam "eletrônica muito semelhante" de proteção. Ou seja, o elétrico não tem uma falha própria que o torne mais vulnerável.

Ladrão quer a bateria do carro elétrico?

Até agora, não há confirmação. A bateria pesa de 300 kg a 500 kg, fica presa ao assoalho por dezenas de parafusos e trabalha em alta tensão, com risco de choque e incêndio para quem tenta removê-la fora de uma oficina. Por isso o crime mais comum é levar o carro inteiro.

A Ituran chegou a suspeitar do mercado de baterias usadas, que aparecem na internet por cerca de R$ 35 mil contra mais de R$ 90 mil de uma nova, mas diz que a hipótese não foi comprovada. Para o dono, a lição é outra: comprar bateria de reposição fora da rede da montadora é arriscado e pode alimentar esse mercado. Se precisar trocar, veja quanto custa trocar a bateria do carro elétrico e o que a garantia cobre.

Por que roubam cabo de carregador de carro elétrico?

Pelo cobre. Houve casos em Curitiba, Florianópolis e Brasília, onde a Polícia Civil do DF prendeu três suspeitos em agosto de 2026 após pelo menos 20 furtos em Águas Claras, Arniqueira e Taguatinga. Na área da Enel São Paulo, o furto de cabos em geral subiu 9% em 2026.

As operadoras reagem com cabos de alumínio (menos valiosos como sucata), capa de malha de aço, cabos guardados em compartimento que só abre após liberação por QR Code, mais iluminação e câmeras. Para o motorista, o efeito é chegar e encontrar o carregador fora de serviço. Antes de sair, confira o status do ponto no aplicativo, como explicamos no guia de como carregar em eletroposto.

Como proteger o cabo de recarga e o wallbox em casa?

Quatro medidas de baixo custo reduzem o risco:

  • Guarde o cabo portátil no porta-malas, não pendurado na garagem aberta ou no muro. Um cabo à vista sinaliza que há cobre e um carro de alto valor no local.
  • Prefira wallbox com autorização por aplicativo ou cartão: assim só você libera a recarga. Veja como escolher o wallbox certo e quanto custa instalar.
  • Instale o carregador em área fechada ou com câmera. Em prédio, combine com o condomínio iluminação e gravação na vaga de recarga.
  • Inclua o carregador no seguro. Na Porto, por exemplo, a apólice específica para carregador cobre danos elétricos e "subtração do equipamento"; o seguro residencial cobre danos elétricos, incêndio e alagamento.

O que o aplicativo do carro elétrico faz contra furto?

Quase todo elétrico vendido no Brasil vem conectado. O app My GWM, por exemplo, oferece localização em tempo real e alertas configuráveis. Use essas funções a seu favor:

  • Ative notificações de abertura de porta, alarme e recarga interrompida.
  • Confira a localização quando deixar o carro em estacionamento por muitas horas.
  • Não compartilhe o login do app com manobrista ou oficina; prefira a chave de serviço, quando houver.
  • Em caso de furto, informe a localização à polícia e não tente recuperar o carro por conta própria.

Mesmo com o app, as empresas de monitoramento recomendam um rastreador independente, ligado a uma central que aciona a polícia. Película antivandalismo, trava de volante visível e gravação do chassi nos vidros ajudam a desestimular o crime.

Seguro de carro elétrico cobre furto do cabo de recarga?

Depende da apólice. A Porto informa que cobre cabos de recarga de série junto com a cobertura do casco, e que há proteção extra para danos, roubo e furto. Se o seu cabo foi comprado à parte, pergunte se ele entra como acessório.

O preço do seguro também caiu. Em simulação do AutoPapo publicada em agosto de 2026, o Renault Kwid E-Tech (R$ 99.990 no nosso catálogo) teve seguro de R$ 3.518,60 por ano, só R$ 292,30 acima do Kwid a combustão. O BYD Dolphin GS (R$ 149.990) ficou em R$ 5.133,20, cerca de 3,4% do preço do carro. Detalhamos os motivos em seguro de carro elétrico é mais caro?, e você pode comparar modelos de entrada no comparativo Dolphin GS, Dolphin Mini, Geely EX2 e Aion UT.

Ao cotar, faça três perguntas ao corretor: a cobertura inclui o cabo de recarga e o carregador? Há desconto com rastreador ou garagem fechada? A assistência 24h tem guincho de plataforma para elétrico?

Perguntas frequentes sobre roubo de carro elétrico

Quantos carros elétricos foram roubados em São Paulo em 2026?

Entre janeiro e maio de 2026, foram 107 ocorrências de roubo e furto de eletrificados no estado, contra 53 no mesmo período de 2025, segundo a Ituran com dados da SSP-SP. A capital concentrou 74 casos.

Carro elétrico é mais fácil de roubar?

Não. Segundo a ABVE, elétricos e carros a combustão recentes usam sistemas eletrônicos de segurança semelhantes. A alta de 101% nos casos acompanha, em parte, a frota, que cresceu 71,7% em um ano.

Vale a pena colocar rastreador em carro elétrico?

Sim, como complemento ao app do fabricante. O rastreador ligado a uma central aciona a polícia mesmo se o app for desconectado, e algumas seguradoras dão desconto para carro com rastreador.

O seguro cobre o cabo de recarga?

Em algumas seguradoras, sim. A Porto cobre o cabo de série junto com o casco e oferece apólice própria para o carregador, com cobertura de furto. Confirme na proposta se o cabo comprado à parte entra como acessório.

Quanto custa repor um cabo de recarga furtado?

Em eletropostos, o prejuízo é de cerca de R$ 5 mil por cabo, segundo o setor. Por isso operadoras estão trocando cobre por alumínio e usando capas de aço.

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