BYD falha de segurança: o que a invasão da Shark na Austrália muda para quem tem BYD no Brasil
A falha de segurança da BYD revelada na Austrália permitiu a um pesquisador acessar 6 tipos de função de uma picape Shark, como travas, faróis e microfone, após duas semanas com o veículo; a BYD admitiu defeito de software e promete atualização remota, ainda sem data. No Brasil, onde a Shark GS custa R$ 344.990, a BYD Brasil não se manifestou até 13 de outubro de 2026.

BYD falha de segurança na multimídia da picape Shark: o que muda para quem tem BYD no Brasil em 2026
BYD falha de segurança: o que a invasão da Shark na Austrália muda para quem tem BYD no Brasil
A falha de segurança da BYD revelada na Austrália é real, foi admitida pela própria montadora e atinge a central multimídia da picape Shark. Um pesquisador da empresa australiana Fortify Labs passou duas semanas com uma Shark 6 a pedido do programa Four Corners, da emissora ABC, exibido em 21 de setembro de 2026. Ele conseguiu travar as portas, rastrear a localização em tempo real, ligar o microfone da cabine e mexer no som. Freios e câmeras ficaram fora do alcance.
A BYD confirmou um "defeito de software" na multimídia, ligado a um modo de manutenção do Android, e promete fechar a brecha com atualização remota (pelo ar), sem ida à concessionária. Até agora não há data para a correção, nem na Austrália. A empresa também afirma que o ataque exigiu acesso físico ao carro e que ainda avalia se outros modelos precisam da mesma correção.
Para o Brasil, a resposta curta é: o risco existe em tese, mas ainda não há confirmação de que os carros vendidos aqui tenham a mesma versão vulnerável. A Shark GS custa R$ 344.990 no Brasil e usa a mesma família de multimídia DiLink. Até 13 de outubro de 2026, a BYD Brasil não se manifestou publicamente sobre o caso, e nenhuma das reportagens brasileiras consultadas traz posição da filial.
Veja em vídeo: especialista explica a falha de segurança da BYD Shark
O que exatamente o hacker conseguiu fazer na BYD Shark?
Segundo a ABC e a revista australiana CarExpert, o pesquisador Dan Hreszczuk chegou a 6 tipos de função: travas das portas, limpadores e lavadores do para-brisa, faróis, conteúdo da tela, localização do veículo e microfone da cabine. No teste exibido na TV, ele apagou os faróis com a picape de 2.600 kg rodando a 30 km/h à noite, numa estrada perto de Camberra.
O caso mais grave envolveu o celular do motorista. Com o microfone, ele gravou a voz de um repórter e a reproduziu para o assistente de voz de um iPhone conectado, que respondeu com dados pessoais, como endereço e data de nascimento.
Há dois limites importantes. Primeiro, freios, direção e câmeras não foram alcançados. Segundo, para apagar os faróis e acionar os limpadores, o pesquisador ligou um computador direto na fiação do carro, simulando um módulo comprometido. Isso não é algo que se faz pela internet.
A BYD admitiu a falha? O que a montadora disse?
Sim. A BYD Austrália e Nova Zelândia fez uma investigação com equipes da Austrália e da China e concluiu que havia um defeito de software que permitia ligar, pela própria tela, uma ferramenta de manutenção do Android que deveria ficar desativada em carros de produção. Com ela ligada, foi possível instalar um aplicativo não autorizado.
A empresa listou 3 pontos em sua defesa:
- A instalação inicial exigiu contato físico com a multimídia, não foi feita à distância.
- Permissões como localização e microfone precisaram ser aprovadas manualmente na tela.
- O controle de faróis e limpadores só foi possível cortando e acessando a fiação interna do carro.
A correção vai remover esse caminho pela tela e será enviada primeiro à Shark, por atualização pelo ar, depois de validada. A BYD também abriu uma avaliação de risco separada sobre a rede interna que liga os módulos do carro (rede CAN), sem prazo. O ponto fraco da resposta: nenhuma data foi informada, e a montadora não disse quantos veículos estão afetados no mundo.
Os BYD vendidos no Brasil têm a mesma falha?
Não há confirmação, nem para um lado nem para o outro. O sistema DiLink, baseado em Android, equipa a Shark e outros modelos BYD e Denza. A própria BYD diz estar verificando se outros modelos precisam da correção, e as reportagens brasileiras de Vrum (12/10) e Notícias Automotivas (11/10) falam em correções preventivas no portfólio global, ainda não confirmadas modelo a modelo.
O peso disso no Brasil é grande. A BYD tem quase 60% do mercado de elétricos no país, com DiLink em carros que vão do Dolphin Mini, de R$ 119.990, ao Han EV, de R$ 559.800, além dos modelos da Denza, a marca de luxo do grupo. A frota conectada da marca ainda vai crescer com a BYD Mako, picape híbrida que será feita em Camaçari.
Outro dado ajuda a entender o cenário: o Brasil ainda não tem regra específica de segurança digital para carros. Na Austrália, as normas ADR 115 e ADR 116, que tratam do tema, seguem em rascunho. A BYD afirma que sua porta de diagnóstico atende ao regulamento internacional UN R155, de segurança cibernética veicular.
Como proteger meu BYD enquanto a atualização não chega?
Como o próprio teste dependeu de acesso físico e de aprovações na tela, os cuidados mais eficazes são simples:
- Mantenha o software em dia. Aceite as atualizações pelo ar assim que aparecerem e confira a versão instalada no menu do sistema. Entenda como funciona a atualização remota em carros elétricos.
- Não instale aplicativos de fora da loja oficial da multimídia e não aceite pedidos de permissão de microfone ou localização que você não reconhece.
- Controle quem fica com o carro. Lava-rápido, manobrista e oficina independente têm acesso físico. Use o modo manobrista quando disponível.
- Revise o celular pareado. Desative o assistente de voz na tela bloqueada e apague do carro celulares antigos ou de terceiros antes de vender ou emprestar o veículo.
- Pergunte na concessionária: qual versão do DiLink está no seu carro, se ela recebe a correção anunciada na Austrália e se há previsão de envio no Brasil. Peça a resposta por escrito.
A falha muda a decisão de compra da Shark?
Por enquanto, a falha não mexe em itens críticos de segurança, como freios, e a correção é por software. Quem está escolhendo picape híbrida pode seguir comparando por preço e uso, como no comparativo Shark GS vs Tank 300, mas vale incluir uma pergunta nova na negociação: qual o compromisso da marca com atualizações de segurança e por quanto tempo.
Perguntas frequentes sobre a falha de segurança da BYD
A BYD Shark pode ser invadida pela internet?
Segundo a BYD, não: o acesso inicial no teste australiano exigiu contato físico com a multimídia. O pesquisador teve a picape por 2 semanas para montar o ataque. Mesmo assim, depois de instalado o aplicativo, funções como localização e microfone puderam ser acompanhadas à distância.
Quais funções foram acessadas no teste?
Travas, limpadores, faróis, tela, localização e microfone da cabine, 6 tipos de função no total. Freios, direção e câmeras não foram alcançados. Faróis e limpadores só foram controlados com um computador ligado à fiação.
Quando sai a correção da BYD?
A BYD promete uma atualização pelo ar, primeiro para a Shark, mas não informou data. A empresa diz que só vai liberar depois de validar o software. Para o Brasil não há previsão divulgada.
A BYD Brasil se pronunciou?
Até 13 de outubro de 2026, não. As reportagens brasileiras publicadas entre 1º e 12 de outubro citam apenas a BYD Austrália e a matriz chinesa.
Quanto custa a BYD Shark no Brasil?
A Shark GS, versão híbrida plug-in vendida no país, custa R$ 344.990 no catálogo do eletricos.app. O preço não mudou por causa do caso.
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